O



Vulgo :
n substantivo masculino

a classe popular da sociedade; plebe, povo


Movimentos sociais - Rituais de Rebelião e Emancipação intelectual.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Antes que acusem-me reacionário, retrógrado ou similares, adjetivos cabíveis numa má interpretação de tal texto, defendo-me, antes mesmo das acusações; expondo e esclarecendo alguns pontos do post.

Este texto pode ser visto como uma extensão do texto anterior, ao utilizar o movimento ambientalista como exemplo percebi que não só ele, mas talvez quase todos outros movimentos sociais caberiam como um exemplo exato, naquilo que quero expor, o limite e até mesmo um possível mal que tais movimentos podem causar.

Não sou contra movimentos sociais, muito pelo contrário, creio que o direito de tais manifestações, são talvez as únicas armas pelo direito da igualdade que alguns grupos de "minorias" podem portar... o que evitaria uma total desigualdade e exclusão dos direitos civis tão aclamados pela constituição. Mas minha visão vai além, creio eu que as mazelas não são unicamente burocráticas, não é rabiscando numa folha de papel alguns dizeres que num passe de mágica uma ordem social deixaria de ser injustiçada, a pena pela homofobia, racismo, especismo, sexismo... não acabariam com tais preconceitos, o aumento do salário não acabaria com a pobreza e a punição de corruptos não acabaria com a corrupção... assim como o problema ambiental; aposto minhas fichas num problema de ordem social. Novamente: não um problema isolado e deslocado, uma anomia da ordem social, o cheiro de putridão que emana em formas de pré-conceitos vem da própria ordem social por inteiro, podre, estraga, com o prazo de validade vencido.

É em tal âmbito que procuro fazer a análise dos movimentos sociais respondendo duas principais indagações sobre suas essências. Em primeiro me indago: Seriam os movimentos de áreas, movimentos sociais o suficiente para mudar, ou corrigir, aquilo que se pretende ? seriam eles amplos o suficiente para de fato tocarem na raiz do problema ? ou seriam apenas corretivos momentâneos e superficiais ? Por segundo ponto tentarei responder à indagação: Não acabariam os movimentos sociais acarretando causalidade adversas às propostas ? até mesmo reforçando aquilo que se pretende banir ?

Para responder a primeira das indagações necessito mapear em primeiro lugar aquilo que os movimentos sociais combatem, admitirei aqui (apesar de saber da existência de outros gêneros) os movimentos que tentam de uma forma ou outro modificar, reformar, o pensamento da sociedade, como exemplo podemos citar: Movimentos GLBT, Movimentos Negros, Movimentos Feministas, Movimentos ao direito dos deficientes, Movimento ambientalista, Movimento de combate ao especismo, Movimentos em gerais contra pré-conceitos e direitos da "minoria". De uma forma geral podemos dizer que tais movimentos combatem o preconceito, ou uma idéia "errônea" (como a que somo senhores supremos do mundo e de todas as criaturas que nele habitam). Mas porque tais preconceitos são combatidos ? numa primeira e mais superficial análise somos levados a crer que tais idéias divergem com os interesses do grupo social que integra o Movimento, apesar de não ser totalmente verdadeira tal análise parte de um sentido lógico, afinal, movimento gay em sua maioria e principalmente em sua origem é formado por gays que defendem seus direitos, assim como o movimento feminista, que é formado por mulheres que defendem seus direitos (defendem a manutenção de seus direitos, a praticidade do mesmo, e não sua expansão), agrupando em sua maioria os ideais de tais Correntes de lutas, podemos resumi-las no seguinte: Tais Movimentos Sociais defendem em sua maioria uma modificação do pensamento coletivo, ou senso-comum, de tal modo que seus direitos (antes não respeitados) fossem atendidos, criando de tal forma um mundo mais liberal, tolerante e principalmente: justo. (Obs: É claro que tal análise foi porcamente feita, não levando em considerações diferenças entre grupos, seus ideais e etc... mas caso o fizesse tal texto ficaria massante e cansativo, e creio que o foco dele não seja numa critica aos mesmos movimentos e sim numa proposta de um novo movimento, logo, peço perdão ao fazer uma má análise).

A constituição (pelo menos aquilo que foi escrito) garante uma igualdade entre todas as pessoas, logo as lutas sociais são em vistas principalmente na aplicabilidade da lei, a manutenção da liberdade de escolha. A partir disso aponto o primeiro erro que enxergo em tais Movimentos, a restrição no seu único campo, se de uma forma geral todos lutam por uma mesma coisa... porque restringir a luta na sua própia causa ? sendo que a origem do mal é a mesma ? é óbvio que é necessário um foco de luta, mas isso não significa a total abstenção de ideais aparentemente distintos, diversas vezes movimentos GLBT são acusados de machismo, ou ao menos de não se importarem assim como ocorre ao inverso. Muitas vezes tais movimentos admitem o problema como uma forma isolada e não se dão conta da própia dimensão do mesmo.
Porém nem sempre tais movimentos defendem a garantia da lei, mas sim uma mudança do pensamento social, cabe-nos aqui um breve ensaio sobre o preconceito.

Vejo eu, o preconceito como uma simples forma de crença, algo que o senso-comum concorda, aceita como verdade absoluta sem um devido questionamento, a maioria das pessoas classificariam isso como tudo que é "feio" e hoje (ainda bem) moralmente contestado, mas se partirmos da definição dada por mim de um real pré-conceito, podemos identifica-lo em muitos casos, "rosa é cor de mulher"; "homem não chora"; "festa sem alcool não é festa"; "domingo é dia de descanço"; normas de etiqueta, até coisas ditas como nobres partem de um pré-conceito, a caridade; o bom samaritano; o humanitarismo, o patriotismo... tudo isso são exemplos de conceitos, idéias, já dadas socialmente e adquiridas pela sociedade em forma de aprendizado, seja escolar ou familiar... a maioria deles não existe uma razão ou lógica para serem adotados, apenas incorporaram o conceito de "bom", "nobre", "util" inerentemente à eles.

Uma segunda critica que faço aos movimentos é como eles articulam os preconceitos, sabendo que a raiz de tais preconceitos estão na admissão de idéias sem os devidos questionamentos, numa crença fundada na tradição no irracionalismo, numa submissão social, os movimentos se contentam muitas vezes em apenas combater a tradição com outra "tradição", tentar forçar uma idéia que "racismo não esta com nada", sem uma devida justificação, um racista tem que ser confrontado com idéias novas, argumentos, dados, não podemos apenas "podar" os preconceitos deixando as raízes vivas para crescerem uma árvore ainda maiores, como disse no post anterior... criar uma outra tradição, um novo hábito, a longo prazo criariam os mesmo problemas... é necessário a esterilização do campo do preconceito. Ja foi dito por muitas bocas sábias que idéias compartilhadas, a moralidade social e etc são fundamentais para garantirem a coesão social, evitando a fragmentação e atomoziação da sociedade, de fato, não contesto tal idéia, apenas levanto uma indagação: Adquirir passivamentes idéias, verdades e moral é o único modo de garantir a manutenção social ? (Mas isso é tema para outro post).

Vimos então que muitas vezes os Movimentos Sociais ao invés de combater preconceitos os invertem e tentam os preconizar do mesmo modo do preconceito. Agora nos cabe a segunda pergunta: Os efeitos causados por suas ações poderiam ser contrários aos almejados ? Criando assim um paradoxo ? Ao meu ver: Sim, e para argumentar sobre usarei o conceito de "rituais de rebelião" criado pelo antropólogo Africano: Max Gluckman.

Rituais de Rebelião, de maneira resumida seria um questionamento da distribuição numa ordem, sem contudo o questionamento desta ordem, ao contrário, uma afirmação da ordem. Seria eu protestar contra um rei, pedindo sua cabeça, sem contudo questionar a monarquia. Ao fazer isso, mesmo de forma indireta eu reforço a ordem monárquica.

O movimento negro por exemplo, ao invés de questionar a dicotomia entre raças, muitas vezes a reforça, apenas questionando sua hierarquia (como podemos ver no própio nome do movimento), se questiona o fato do branco ser "superior" ao negro, mas não o fato de existir uma diferença entre as raças, ao se dizer: "Somos todos iguais" se reforça o sentido que somos classificados de maneira diversa. Assim como o movimento feminista, que ao procurar e defender uma igualdade de tratamento reforça uma desigualdade sexual, "ser tratado igual ao homem" é admitir uma diferença entre gêneros, ser "tão capaz, ou mais quanto" é afirmar uma dualidade.
Mas no que isso influenciaria nos preconceitos ? Ao não modificar a ordem, apenas invertendo as pósições dentro de tal ordem, ainda se mantém o caminho aberto para uma negação da negação anterior. Para exemplificar, usarei algumas afirmações:

-"Os brancos são superiores aos negros" - Afirmação preconceituosa.
-"Os brancos sao iguais aos negros" - Negação da afirmação e manutenção da dicotomia
-"Os brancos não são iguais aos negro" - negação da negação, volta ao sentido inicial.

Isso não poderia ocorrer caso a ordem dicotômica fosse quebrada, se a classificação por raças não existisse, não existira racismo.

Chegamos então ao ponto final, onde entra a emancipação do pensamento ?
Pois bem, creio eu que a emancipação intelectual seja umc aminho alternativo e mais eficaz de não só combater o racismo, especismo, sexismo como muitos, se não, todos os males sociais.

A Emancipação Imtelectual seria o livre pensar, livre pensamento, seria o direito de alguém levantar a suposição que bem entender, da forma que bem entender sobre o que bem entender, sem sofrer qualquer tipo de repreensão moral, fisica e etc... todo tipo de preconceito nasce de uam impossição moral, isso afunila o pensamento social, eliminando crenças diferentes. Numa sociedade intelctualmente emansipada qualquer um criaria suas própias verdades, por mais que sejam compartilhadas, a diversidade delas não a deixariam que virasse uma moral, e por mais que um ou mais elementos continuem a pensar de maneira preconceituosa, tal preconceito nãoe xerceria influência como moral nas demais pessoas, não causaria problemas, pois, acredito eu, que de uma desordem moral, atomoização do pensamento, emanará uma nova ordem social, da tolerância, da racionalidade (mas isso será tema de outra postagem)

Enquanto movimentos sociais se limitarem ao seu campo, inverterem o pensamento, mantendo o preconceito, enquanto ainda forem intolerantes com qualquer outra forma de pensar, enquanto a totalidade do pensamento não for emansipada ainda sofreremos de muitos males sociais.

1 comentários:

Rondinelli Fortalesa disse...

Esse questionamento do comportamento humano, de si mesmo e do outro nunca é fácil. Como diziam em Matrix - Fizemos um mundo perfeito, mas os humanos rejeitaram-no, percebiam que aquilo não era possível. - Faz muito sentido. Querendo ou não cada um pensa em si e nos que podem lhe prover algo e disso resultam as desigualdades.

 
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